Sur les étagères

Jeudi 30 octobre 2008
Interlude musical, pour rappeler qu'on ne part jamais de chez soi par plaisir. Ou rarement. Ainsi que nous le dit ce groupe écossais, les Tannahill Weavers, dans cette chanson (voir plus bas pour l'écouter) intitulé Heather Island.


The air is clear the day is fine, and swiftly swiftly flows the time
The boat is floating on the tide that wafts me off from Fiunary

Chorus:

    We must up and haste away, we must up and haste away
    We must up and haste away, farewell, farewell tae Fiunary

A thousand, thousand tender ties awake this day my plaintive sighs
My heart within me almost dies, at thocht of leaving Fiunary

Chorus

But I must leave these happy vales, see how they fill, the spreading sails
Adieu, adieu, my native dales, farewell, farewell tae Fiunary



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Lundi 15 septembre 2008
En attendant les quelques photos de notre participation à Cinémaligre hier dimanche, une petite vidéo trouvée sur Dailymotion. Carlos Fonseca mis en scène, neuf minutes à prendre pour regarder.


NB : nous sommes désolés de devoir retirer la vidéo qui n'apparaissait de toute façon plus. La vidéo a tout simplement disparu de son emplacement Dailymotion... Nous reviendrons avec d'autres nouvelles vidéos dans les jours qui viennent.

NB2 : vidéo retrouvée sur le site de l'INA. Vous pouvez la regarder en cliquant sur ce lien.


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Jeudi 29 mai 2008
Interlude musical

Souvenez-vous de cette jolie chanson qui sortit en 1979. Chantée par Alexandra, elle évoquait l'émigré parti au Brésil à la recherche d'un meilleur destin. C'était Zé Brasileiro.

Ecoutez-la si vous voulez.

Zé Brasileiro

Zé Brasileiro, Português de Braga
Sacola no medo e o navio aos pés
Perdeste o que foste ganhaste o que és
Por comeres mais cedo o sal das marés
Zé Brasileiro Português de Braga
Fugindo p´ra longe das saias da mãe
Em copacabana e outras avenidas
Comias tristezas nas noites perdidas

Tinhas na algibeira as cartas de casa
Falando das vinhas e da aguardente
E no horizonte que guarda a semente
E na alma é fruto com tudo o que sente
Zé que dividiste o tempo de ser
O tempo que é mesmo coragem de ver
O céu é redondo e o mar é profundo
Zé brasileiro português de Braga
Português do mundo

Et puisqu'on y est, souvenons-nous aussi de cette autre chanson, de José Afonso cette fois, intitulée Canção do Desterro.

Pour l'écouter.

Canção do desterro (Emigrantes)

Vieram cedo
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Nao voltamos cá
O mar é tao grande
E o mundo é tao largo
Maria Bonita
Onde vamos morar
Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Nao é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar
Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair
A beira de àgua
Me criei um dia
- Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia

Maria Bonita
Onde vamos viver
Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e nao veio
Maria Bonita
Onde vamos morar
Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar
Vinham de longe
Todos o sabiam
Nao se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer

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Jeudi 15 mai 2008
Um belo poema do Moçambicano José Craveirinha (proposto por Albano Cordeiro; fonte: www.macua.org/craveirinha.html).

Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.


Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.


Nem nada!


Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.


Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.


Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!


(Nota de Albano : Mafalala é o bairro da periferia de Lourenço Marques (Maputo), onde ele vivia)

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Mercredi 30 avril 2008
Chico Buarque interprétant la chanson Tanto Mar





(Proposé par Agnès Pellerin)

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim

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