L'exode brutal de
Portugais, au début des années 60, fut la plus grande immigration dans l'Europe de l'après-guerre. En dix ans, entre 1963 et 1973, plus d'un million de Portugais ont émigré vers la France,
l'Allemagne et le Bénélux. Jamais l'Europe n'avait connu une telle immigration clandestine. Des records qui donnent la mesure du drame que vivait alors le peuple portugais et qui furent une
aubaine pour une Europe en pleine croissance et en manque de main d'oeuvre.
Qui sommes-nous?
L'association
L'association Mémoire Vive/Memória Viva a été fondée en avril 2003, avec l'objectif de recueillir et de
transmettre la mémoire de l'immigration portugaise dans un esprit d'échange et d'ouverture. Ayant vécu cette immigration de l'intérieur, ou liés par la voie professionnelle ou privée, ses membres
ont créeSudexpress, un centre virtuel de mémoire et d'histoire de l'immigration portugaise.
Contact:contact@sudexpress.org
Memoria Viva / Mémoire Vive
présente le 18 février 2012
"Portugaises d’origine"
sur une idée originale du collectif centopeia
film réalisé par Serge Gordey
à l’atelier du passage
34 rue Henri Chevreau 75020 Paris
Métro Ménilmontant, Pyrénées ou Jourdain - Bus 96 ou 26
entrée libre
20 h
apportez à boire et à manger
Synopsis
« La communauté portugaise est la communauté immigrée la plus nombreuse en France. Elle est pourtant presque invisible et inconnue. « Portugaises d`origine » est le premier film où nous,
jeunes issus de l`immigration portugaise, avons eu la possibilité de donner à voir notre regard sur nous-mêmes et les autres. C`est l`occasion, avec des images et des sons, de lancer un
premier signe de reconnaissance. Par le reportage, l`interview mais aussi la chanson et le sketch, nous y affirmons en actes notre double identité culturelle et engageons le dialogue avec
nos parents, avec le Portugal de leur origine et avec la France de notre devenir. Le film s`attache plus particulièrement aux filles sujets et objets des contradictions les plus vives. »
(Collectif Centopeia - 1985)
Se estamos na onda das cartas abertas, também eu quero redigir uma :
Exmo Sr. Passos Coelho tive a petolância de ir embora antes de o senhor me meter na rua. Não sou do tempo em que os emigrantes íam em direcção
da França a Passos de caracol ou a salto de Coelho, o meu passador é laranjinha, é a easyjet. Não sou do tempo dos bidonvilles, mas conheço as condições insalubres de habitação, já tive ratos e
baratas no interior de casa, já tive que fazer as minhas necessidades no exterior de casa. Ainda assim, apenas com 30 anos já tenho 10 de exílio. Os meus trinta anos não os confundo com os trinta
gloriosos, o trabalho aqui já não se encontra no bater de uma porta. Estou em exílio, sim, não me enganei na conceptualização de uma condição. O País onde nasci recusa explicitamente o meu
regresso.
Exmo Sr. Passos Coelho temos que reconhecer que aparentemente e ao contrário da retórica de Salazar o senhor não impede a saída dos braços fortes e activos da sociedade pelo bem da Pátria. O
Senhor fomenta-a pelo bem individual. Mas algo me tortura ainda nas suas declarações, desculpar-me-à portanto o meu anacronismo. Quando faz a « promoção emigratória » no sentido de aliciar os
jovens a aventurar-se por um futuro melhor, aventura-se no axioma paternalista de Salazar. O dever de « pela Pátria lutar contra os canhões » em Africa traduzia-se, é conhecido, no direito de
emigrar clandestinamente. Uma não impedia a outra, basta analisar e cruzar os dados das saídas legais de Portugal e das entradas nos recenseamentos da populaçao em França. Para si, o dever de
cada um em lutar pela dignidade de vida traduz-se no direito de emigrar. Assim sendo, o que há de comum nos dois casos é que com retóricas divergentes sobre os deveres colectivos ou individuais,
um falso direito de emigrar emerge, materializada por uma não escolha viabilizada por uma solução de escape utilitarista para o país.
Exmo Sr. Passos Coelho se não conhecesse tão bem a condição do que é ser emigrante acredite não me atreveria a dirigir-lhe uma unica palavra. Mas este sentimento estranho de « double absence »
continua aqui atravessado algures na coluna vertebral da experiência migratória. A instalação de um emigrante é tortuosa. Dou-lhe um exemplo, é como entrar num jogo labiríntico que à partida lhe
asseguraram ser de nível muito fácil e afinal enganou-se no jogo uma vez que entrou num labirinto de nível muito difícil. Dou-lhe outro exemplo menos alegórico, é telefonar para a segurança
social porque precisa da « carte vital » para ter um tratamento médico e dizerem-lhe « je ne comprends pas ce que vous dites, venez sur place». E quando enfim encontra a saída do labirinto,
quando já conhece as linhas de metro de cor e saltiado e as expressões linguísticas menos cordiais da rua, aí começa a aperceber-se que está mais longe da sua língua. O pior mesmo ainda está para
chegar, quando começa a escrever « dança » sem já ter a certeza se esta palavra se escreve com um ç ou com um s. é isso a « double absence », é estar aqui sem estar, é ser reenviado à condição
estrita de estrangeiro, aqui ou a aí onde nasci.
Exmo Sr. Passos Coelho nos dois países onde moramos utiliza-se a mesma moeda (embora com valores diferentes), mas nesta troca não tenho coragem de utilizar a mesma moeda que a sua, não o
aconselho a ir a Passos de caracol para o Brasil nem a salto de Coelho para a Angola porque tem mesmo de ser. Emigre porque é um sonhador, porque tem curiosidade de ver as nuvens e o além mar.
Não leve a casa às costas como um caracol para poder saltar de leveza como um coelho.
Inês E.S.
Ps.Exmo Sr. Passos Coelho, vamos là ver, quase esqueci o mais importante, nao é muito sério da sua parte enviar os jovens para o estrangeiro e
ao mesmo tempo fechar os consulados onde eles podem renovar o cartao de cidadao. Também nao é muito sério despedir os professores de lingua Portuguesa no estrangeiro onde as crianças desses
jovens podem aprender convenientemente a lingua materna dos pais. Quais sao na verdade as suas intençoes ?
Nos anos 60, Gérald Bloncourt fotografou uma criança portuguesa
num bidonville em Paris, os bairros de lata construídos pelos emigrantes. A imagem haveria de se tornar num ícone da emigração portuguesa, mas o fotógrafo haitiano só este ano
descobriu a sua identidade. Maria da Conceição Tina foi conhecê-lo a Paris e descobriu-se a si própria.
Crédito : PAULO PIMENTA
O artigo completo de Patrícia Carvalho do Público :
Mémoire Vive/ Memoria Viva a le plaisir de vous inviter à la projection/rencontre du film "Rua Diamantina Rosa"
réalisé par Françoise Collin
Rua Diamantina Rosa 52' // 2010
- "Aurora habite en France et revient souvent dans son village. En 2008, elle m'invite à y passer Pâques avec elle.
C'est parce que je la connais depuis qu'elle a fait le "saut" (O Salto) , et que des liens profonds nous unissent depuis lors , que je décide de filmer une chronique de ces vacances. Dans ce village du Minho du Portugal du Nord, elle retrouve sa fille qui a choisi, il y a 10 ans, de venir y vivre, plutôt que de rester en France. Au fil de leurs conversations et des différentes rencontres avec leurs frères et soeurs, se dessine leur roman familial. Sans jamais évoquer le travail d'Aurore en France, on découvre les étapes essentielles de sa vie : sa petite enfance après l'émigration de son père, son départ obligé, le triste retour du père… et les dissensions d'aujourd'hui. Et l'on comprend peu à peu combien les relations affectives au sein de sa famille ont été bouleversées, et comment la
pauvreté, puis l'émigration ont blessé durablement leurs vies." Françoise Collin
La projection aura lieu à l’Atelier du Passage le vendredi 9 décembre à 20h00et sera suivie d'une rencontre avec la réalisatrice.
Atelier du Passage
34 rue Henri Chevreau, 75020 Paris (atelier au fond de la cour à droite)
Métro : Ménilmontant, Couronnes, Pyrénées ou Jourdain. Bus: 96 ou 26.
L’entrée se fera de 19h30 à 20H00. Si jamais le portail est fermé lors de votre arrivée contactez
:
Projection du film de José Vieira "Le bateau en carton" le mercredi 2 novembre à 19h30 aux Ateliers Varans, 6 impasse Mont-Louis (Paris
11ème).
L’association Mémoire
Vive/Memoria Viva a pour but de recueillir et de transmettre la mémoire de l’émigration portugaise et ceci dans un esprit d’échange et d'ouverture. La montée en Europe de la xénophobie
et de l’exclusion et en particulier à l’égard des Roms est ainsi au cœur de nos préoccupations.
Après le discours de Sarkozy
à Grenoble («Nous devons mettre un terme aux implantations sauvages de campements Roms. Ils constituent des zones de non-droit qu’on ne peut tolérer en
France») le
racisme s'institutionnalise en France au point de rappeler les heures les plus sombres de l'Histoire française. Il nous paraît donc impératif que Mémoire Vive/Memoria Viva prenne
position contre cette politique de l'exclusion et de la xénophobie généralisée. Ainsi, notre association soutien toutes les actions (débats, films, etc) qui approfondissent cette
problématique afin que les politiques et les situations de racisme et d'exclusion soient dénoncées et combattues.
José Vieira membre de M.V.
et réalisateur, a produit une oeuvre cinématographique importante sur l'immigration portugaise («La photo déchirée», « les émigrés »). Notre association vous présente cette fois-ci
son film « Le Bateau en carton » sur le périple des Roms en France et les conditions de vie dans leur pays. Le point de départ du film est la découverte par le réalisateur sur un
terrain à proximité du taudis où il avait vécu petit, d'un bidonville peuplé par des Roms.
Cette projection permet
aussi à Mémoire vive/ Memoria Viva de rappeler à tous «les années de boue » où les travailleurs immigrés, parmi eux un grand nombre de portugais, se logeaient dans les bidonvilles de la
région parisienne dans des conditions de vie indignes au vu et au su de tous.