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    L'association Mémoire Vive/ Memória Viva a été fondée en avril 2003, avec l'objectif de recueillir et de transmettre la mémoire de l'immigration portugaise dans un esprit d'échange et d'ouverture. Ayant vécu cette immigration de l'intérieur, ou liés par la voie professionnelle ou privée, ses membres ont crée Sudexpress, un centre virtuel de mémoire et d'histoire de l'immigration portugaise.
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Lundi 27 février 2012 1 27 /02 /Fév /2012 11:00

Cerca de 5 milhões de espetadores encontravam-se em frente do televisor quando Marine Le Pen anunciou que se ganhasse as eleições (presidenciais 2012 em França) iria festejar a vitória "Chez Tonton, um restaurante português muito simpático que se situa em Nanterre ao lado da sede do partido Front National (FN)". Esta resposta inscreve-se numa bateria de perguntas que o programa do canal France 2 - “Des paroles et des actes” - repete a cada candidato convidado a participar na mesma emissão. Primeira ilação: a resposta de Le Pen foi bem estudada e constitui o pontapé de partida de um programa político perigoso e admitamos “por vezes” inteligente. Esta inteligência, que é talvez mais inteligível que inteligente, pode tanto passar pela “desconstrução ordeira do euro” como pela atitude contra a “imigração como arma ao serviço do grande capital”(projeto presidencial do FN). 
A referência ao tonton (tio) português ramifica-se numa tríade de significações, sobre a qual seria possível desenvolver uma complexa teoria semiótica. No entanto, como a minha capacidade no domínio da semiologia é relativamente limitada, reduzirei a minha analise da mensagem de Le Pen à banalidade seguinte: o discurso é gerador de sinais e por sua vez produtor de sentidos. Veremos, neste caso, que através de uma simples frase (não arbitrária) proferida por Marine Le Pen, cujo conteúdo demonstra uma idiossincrasia partidária, encontramos igualmente a génese da fabricação de um estrangeiro aceitável. Interessante será, por fim, desmontar a extravagância do discurso do FN através da analogia que se pode alinhavar com a retórica oficial francesa vis-à-vis da imigração portuguesa desde os anos 60.
Voltando à tríade de significações, ela diz respeito 1) à recepção visada pela mensagem; 2) ao “obreirismo” implícito na mensagem; 3) a um programa eleitoral bastante centrado na problemática da imigração. 
1) O reconhecimento social é um pedido “assíduo” quando se fala numa colectividade imigrante ancorada num país hostil ao reconhecimento da diferença, como é o caso da França. Marine Le Pen ao elogiar um só imigrante português em França, um só restaurante português em território francês está a piscar o olho a toda a colectividade portuguesa (quase 600 000 nascidos em Portugal segundo o ultimo censo (sem contar com a imigração recente), sem duvida mais de 1 milhão se tivermos em conta os descendentes de portugueses com um forte sentimento de pertença em relação ao país natal dos pais). Le Pen chega, portanto, pelas suas palavras aos corações mais sinceros do orgulho de ser português desenvolvido em situação migratória. Enfim adquiriu-se, no horário nobre televisivo, um reconhecimento publico e perceptível do esforço dedicado dos portugueses na construção da pátria francesa. Mas não sejamos naïfs, Marine filha e herdeira de Le Pen não está tão interessada nos portugueses como está nos franceses de “raça” e na prioridade nacional. Ela visa o eleitorado francês humanista ainda não completamente convencido na unidade nacional, porque afinal existem estrangeiros bons e estrangeiros indesejáveis, estrangeiros brancos e estrangeiros não brancos. Os segundos constituem e constituirão sempre um “veneno contra a coesão nacional” (projeto presidencial do FN). 
2) Ao referir um restaurante português em Nanterre, Marine Le Pen faz também referência à modéstia da escolha do seu partido em oposição às grandes festarolas de elite realizadas pelos seus concorrentes (por exemplo no Fouquet’s situado nos Champs Elysée). Modéstia de escolha que nos remete ao respeito da honestidade do trabalho dos operários. Que imagem poderia ser mais eloquente que o honesto e dedicado trabalhador português, que ao longo dos tempos conseguiu o lugar de chefia na construção civil? Esse mesmo bom imigrante que pelo seu inédito rigor laboral conseguiu um estatuto na hierarquia socioprofissional que faz dele inevitavelmente o carrasco dos outros imigrantes situados na cauda dessa hierarquia (Cf. Jounin, “Chantier interdit au public”). O restaurante português, onde se servem pratos fartos sem lugar para a insaciedade, reenvia a essa imagem de operário, onde o valor do trabalho manual grassa sem obstáculos superficiais ou imateriais. Um restaurante do povo para o povo, envolto e ancorado num bairro popular, onde os eleitores normais que não têm nada de especial podem auferir nem mais nem menos de uma refeição a 9 euros. 
3) A referência aos Portugueses é por fim importante no esclarecimento de todo um programa político onde a omnipresença da imigração é a chave da “honra de ser francês” (projeto presidencial FN). O problema não são os portugueses que mais não fazem que oferecer-nos uma boa gastronomia e a sua sincera força de trabalho, não constituindo amiúde nem em regra o grosso da instabilidade da ordem nacional. O problema mesmo são “os conflitos interétnicos, as revindicações comunitárias e as provocações político-religiosas, consequências diretas de uma imigração massiva que interfere negativamente com a nossa identidade nacional e traz com ela uma islamização cada vez mais visível” (projeto presidencial FN). Voltamos portanto à clivagem utilitária do bom estrangeiro e do estrangeiro indesejável, e insiste-se nesta diferença pois a “dupla nacionalidade cessará de ser autorizada exceptuando os casos de dupla nacionalidade com um outro pais da União Europeia” (projeto presidencial FN). 
A especificidade portuguesa que Marine Le Pen tenta introduzir e fazer passar na opinião publica não é inédita. Desde os anos 60/70 os discursos dos políticos franceses referem-se aos portugueses como os imigrantes “bem integrados” (Cf. Albano Cordeiro), tendo-se servido disto nos anos da imigração de massa (60/70) para dosear a necessidade da mão-de-obra argelina (imagem conflituosa e de alteridade extrema, embebida na dolorosa guerra de independência). Para além da racionalidade “racial” subjacente, a retórica hegemónica dos portugueses “bem integrados” é forjada no silêncio e esmagamento das experiências e heterogeneidade dos portugueses em França. Paralelamente, este tipo de discurso, seja proferido por Le Pen, pelo embaixador Português em França ou por Sarkozy, tem como consequência a estigmatização de uma população inteira em vários campos sociais, como exemplifica inesperadamente muito bem este exercício jornalístico no Le Monde : “Chez Tonton, le vrai QG du FN” (quartel geral) 
E agora que dei mais espaço de antena do que aquele que devia ao projeto presidencial do FN, dizer que como imigrante portuguesa em França senti-me envergonhada e ofendida de ouvir a palavra português da boca de Marine Le Pen. Saí do meu “je” individual e apropriei-me do “nous” colectivo. Este “nous” que não é simplesmente o “nous” português, mas também o “nous” argelino, o “nous” senegalês ou o “nous” chinês. Nós estrangeiros em França, indivisíveis na nossa condição material de imigrantes, expostos impunemente à xenofobia explicita e institucional.travailleursunis.jpg

Par Mémoire Vive / Memória Viva
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Vendredi 17 février 2012 5 17 /02 /Fév /2012 13:27

Mémoire Vive/Memóvria Viva relaie l'information suivante :


 

 

« Les Portugais prennent la rue » vous proposent :

 

Le 21 février 2012 à 19h30 – Rencontre-débat au Zango Café 

 

"Portugal dans le dysfonctionnement de l’euro : une analyse de la crise" 

 

A l’heure où le premier ministre portugais conseille aux jeunes d'émigrer,  engageant par ces déclarations une politique démissionnaire et fataliste, le pays plonge dans la pire crise qu'ait connue la démocratie portugaise. Les « Portugais prennent la rue », un groupe constitué de personnes ayant émigré plus ou moins récemment, organise un débat afin d'éclaircir les causes structurales d’une crise qui, en Europe affecte plus particulièrement des pays périphériques comme la Grèce ou le Portugal.     

 

Par Nuno Teles, économiste, membre de l’équipe "Research on money and finance"

http://www.researchonmoneyandfinance.org/

 

 

 


 


Zango café

15 Rue du Cygne,

75001 Paris 

 

Métro : Étienne Marcel (ligne 4)

Par Mémoire Vive / Memória Viva
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Mardi 14 février 2012 2 14 /02 /Fév /2012 12:19

Memoria Viva / Mémoire Vive
présente le 18 février 2012

"Portugaises d’origine"

sur une idée originale du collectif centopeia
film réalisé par Serge Gordey

à l’atelier du passage
34 rue Henri Chevreau 75020 Paris
Métro Ménilmontant, Pyrénées ou Jourdain - Bus 96 ou 26

entrée libre
20 h

apportez à boire et à manger

Synopsis
« La communauté portugaise est la communauté immigrée la plus nombreuse en France. Elle est pourtant presque invisible et inconnue. « Portugaises d`origine » est le premier film où nous, jeunes issus de l`immigration portugaise, avons eu la possibilité de donner à voir notre regard sur nous-mêmes et les autres. C`est l`occasion, avec des images et des sons, de lancer un premier signe de reconnaissance. Par le reportage, l`interview mais aussi la chanson et le sketch, nous y affirmons en actes notre double identité culturelle et engageons le dialogue avec nos parents, avec le Portugal de leur origine et avec la France de notre devenir. Le film s`attache plus particulièrement aux filles sujets et objets des contradictions les plus vives. » (Collectif Centopeia - 1985)429756_10150565296877180_638447179_8882843_1241336325_n.jpg
Par Mémoire Vive / Memória Viva
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Mercredi 21 décembre 2011 3 21 /12 /Déc /2011 09:44

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Se estamos na onda das cartas abertas, também eu quero redigir uma : 

Exmo Sr. Passos Coelho tive a petolância de ir embora antes de o senhor me meter na rua. Não sou do tempo em que os emigrantes íam em direcção da França a Passos de caracol ou a salto de Coelho, o meu passador é laranjinha, é a easyjet. Não sou do tempo dos bidonvilles, mas conheço as condições insalubres de habitação, já tive ratos e baratas no interior de casa, já tive que fazer as minhas necessidades no exterior de casa. Ainda assim, apenas com 30 anos já tenho 10 de exílio. Os meus trinta anos não os confundo com os trinta gloriosos, o trabalho aqui já não se encontra no bater de uma porta. Estou em exílio, sim, não me enganei na conceptualização de uma condição. O País onde nasci recusa explicitamente o meu regresso. 
Exmo Sr. Passos Coelho temos que reconhecer que aparentemente e ao contrário da retórica de Salazar o senhor não impede a saída dos braços fortes e activos da sociedade pelo bem da Pátria. O Senhor fomenta-a pelo bem individual. Mas algo me tortura ainda nas suas declarações, desculpar-me-à portanto o meu anacronismo. Quando faz a « promoção emigratória » no sentido de aliciar os jovens a aventurar-se por um futuro melhor, aventura-se no axioma paternalista de Salazar. O dever de « pela Pátria lutar contra os canhões » em Africa traduzia-se, é conhecido, no direito de emigrar clandestinamente. Uma não impedia a outra, basta analisar e cruzar os dados das saídas legais de Portugal e das entradas nos recenseamentos da populaçao em França. Para si, o dever de cada um em lutar pela dignidade de vida traduz-se no direito de emigrar. Assim sendo, o que há de comum nos dois casos é que com retóricas divergentes sobre os deveres colectivos ou individuais, um falso direito de emigrar emerge, materializada por uma não escolha viabilizada por uma solução de escape utilitarista para o país. 
Exmo Sr. Passos Coelho se não conhecesse tão bem a condição do que é ser emigrante acredite não me atreveria a dirigir-lhe uma unica palavra. Mas este sentimento estranho de « double absence » continua aqui atravessado algures na coluna vertebral da experiência migratória. A instalação de um emigrante é tortuosa. Dou-lhe um exemplo, é como entrar num jogo labiríntico que à partida lhe asseguraram ser de nível muito fácil e afinal enganou-se no jogo uma vez que entrou num labirinto de nível muito difícil. Dou-lhe outro exemplo menos alegórico, é telefonar para a segurança social porque precisa da « carte vital » para ter um tratamento médico e dizerem-lhe « je ne comprends pas ce que vous dites, venez sur place». E quando enfim encontra a saída do labirinto, quando já conhece as linhas de metro de cor e saltiado e as expressões linguísticas menos cordiais da rua, aí começa a aperceber-se que está mais longe da sua língua. O pior mesmo ainda está para chegar, quando começa a escrever « dança » sem já ter a certeza se esta palavra se escreve com um ç ou com um s. é isso a « double absence », é estar aqui sem estar, é ser reenviado à condição estrita de estrangeiro, aqui ou a aí onde nasci. 
Exmo Sr. Passos Coelho nos dois países onde moramos utiliza-se a mesma moeda (embora com valores diferentes), mas nesta troca não tenho coragem de utilizar a mesma moeda que a sua, não o aconselho a ir a Passos de caracol para o Brasil nem a salto de Coelho para a Angola porque tem mesmo de ser. Emigre porque é um sonhador, porque tem curiosidade de ver as nuvens e o além mar. Não leve a casa às costas como um caracol para poder saltar de leveza como um coelho.

 

 

Inês E.S.

 

 

 

Ps.Exmo Sr. Passos Coelho, vamos là ver, quase esqueci o mais importante, nao é muito sério da sua parte enviar os jovens para o estrangeiro e ao mesmo tempo fechar os consulados onde eles podem renovar o cartao de cidadao. Também nao é muito sério despedir os professores de lingua Portuguesa no estrangeiro onde as crianças desses jovens podem aprender convenientemente a lingua materna dos pais. Quais sao na verdade as suas intençoes ? 

 

emigras.png

Par Mémoire Vive / Memória Viva
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Mardi 6 décembre 2011 2 06 /12 /Déc /2011 10:52

                                                                                                                

Nos anos 60, Gérald Bloncourt fotografou uma criança portuguesa num bidonville em Paris, os bairros de lata construídos pelos emigrantes. A imagem haveria de se tornar num ícone da emigração portuguesa, mas o fotógrafo haitiano só este ano descobriu a sua identidade. Maria da Conceição Tina foi conhecê-lo a Paris e descobriu-se a si própria.

 

56853

Crédito : PAULO PIMENTA

 

 

O artigo completo de Patrícia Carvalho do Público :

 

http://jornal.publico.pt/noticia/28-11-2011/a-menina-da-fotografia-cresceu-e-chamase-maria-da-conceicao-tina-23378783.htm

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